Comunicação Inteligente

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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Um toque de amor

Afagar a barriga durante a gravidez e massagear o recém-nascido são os primeiros passos para o fortalecimento do vínculo entre mamãe e bebê


 
Sabe aquele instinto de acariciar a barriga quando se está grávida? Ou de conversar com o recém-nascido? Inconscientemente, e com gestos tão simples, você já está dando a seu filho sinais de que o ama e, assim, estreitando os laços que os une. "Durante a automassagem, principalmente após 18 semanas de gestação, é muito comum as mães relatarem que o bebê se movimenta, acompanhando as suas mãos", conta Denise Gurgel, fisioterapeuta especializada em saúde materno-infantil e Shantala.
Ainda dentro do útero materno, o bebê experimenta literalmente na pele um pouco do mundo, ao ter contato tátil com o útero, as estruturas internas da mãe e, claro, os carinhos que ela faz na barriga. Depois que nasce, é pelo toque amoroso que ele se conforta e sente-se aconchegado. Além de se acalmar com a voz dos pais, o bebê também fica mais tranquilo se tiver a sensação do aperto do útero da mãe, com um colo, abraço ou enrolado à manta quentinha. É que, enquanto crescia, o espaço na barriga ficava menor e o estímulo tátil sempre aumentava. "Ao ser tocado carinhosamente após o nascimento, ele se lembra daquela sensação de segurança da gestação e sente-se protegido. Todo esse acolhimento, seja pelo colo, embalo e da massagem ajudarão o bebê a descobrir o mundo e a responder aos estímulos com relaxamento", enfatiza Denise.

Sabedoria milenar

A Shantala, um tipo milenar de massagem indiana, foi trazido ao ocidente pelo médico francês Frederick Leboyer*. Enquanto passeava pelas ruas da Índia, o médico se deparou com uma mulher, Shantala, massageando seu filho Gopal e ficou impressionado com a ternura do gesto. Ele documentou o momento e escreveu um livro sobre o assunto: "Shantala: massagem para bebês, uma arte tradicional". O nome da mãe acabou por batizar a técnica, hoje amplamente difundida no ocidente. Em suas observações, o médico francês avaliou a necessidade do toque para o desenvolvimento do bebê em uma frase que ficou célebre: "Sim, os bebês tem necessidade de leite, mas muito mais de serem amados e receberem carinho. Serem levados, embalados, acariciados, pegos e massageados".
As vantagens da Shantala são muitas. Além de aumentar o vínculo entre pais e bebê – sim, o papai também pode massagear o filhote – a técnica minimiza o desconforto das cólicas, ajudando no peristaltismo, e é importante para a formação da imagem corporal do bebê, que descobre o próprio corpo, tamanho e flexibilidade. O carinho e a atenção durante a massagem melhoram a comunicação entre os pais e o nenê. "Antes de chorar, ele se comunica com o corpo, a sua linguagem primordial, e a técnica é uma forma de aprendermos a ler e interpretar o que o pequeno está querendo dizer. À medida que a mãe compreende essa comunicação, o dia a dia será mais tranquilo", explica Denise. Outra vantagem é a desculpa para sair da rotina. Em meio a tantos cuidados e obrigações no começo da vida de uma criança, um tempinho para a Shantala é ótimo para criar um momento de puro prazer e relaxamento com o bebê ou um momento de reencontro com a mamãe que trabalha fora, por exemplo.
Para começar a usar a técnica você precisa de algum tempo livre e algumas dicas. As grávidas necessitam de um bom óleo e podem caprichar na massagem da barriga. Quem não tem ideia de como fazer, encontra um áudio inspirador aqui. Para receber diretamente a massagem, o nenê deve ter mais de um mês e o coto umbilical totalmente cicatrizado. Um ambiente calmo, acolhedor e aquecido ajuda a confortar o pequeno, que deve estar sem roupinha. "O uso do óleo é indispensável, para facilitar o deslizamento das mãos, harmonizando os movimentos", finaliza Denise. Qualquer pessoa pode tentar fazer Shantala em casa.

* Natura Mamãe e Bebê se inspirou na shantala para desenvolver o método de massagem para bebês "O fortalecimento do vínculo" e por isso paga direitos autorais ao Dr. Frederick Leboyer

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Fale mais!

Você conversa com seu bebê? Pois deveria. Ainda na barriga, ele reconhece sua voz e, depois que nasce, se acalma e alegra com ela

 
 
Muitos estudos científicos comprovam o que quase toda mamãe sempre desconfiou: conversar com o bebê é benéfico para o seu desenvolvimento cognitivo. Mas muito mais que isso, conversar com seu bebê pode ajudar a criar vínculos com ele, já desde o útero. Foi o que descobriu acidentalmente a cantora Isadora Canto, coordenadora do Projeto Acalanto. Ela engravidou do primeiro filho, Theo, quando fazia faculdade música e trabalhava com apresentações de voz e violão. "Notei que em algumas músicas ele se mexia. Comecei a fazer testes e percebi que ele estava se correspondendo comigo", diz Isadora. Depois que o filho nasceu ela costumava cantar as mesmas músicas para ele e a reação não poderia ser melhor. "Ele sorria ou ficava quietinho", conta.

Isadora foi atrás de mais informações sobre esse tipo de comunicação. Leu pesquisas, viajou em busca de informações e começou a aplicar a técnica em outras gestantes no Projeto Acalanto, como forma de fortalecer o vínculo delas com seus bebês. "Principalmente para as mães de primeira viagem, para quem os bebês ainda são um mistério", conta. Quando estava grávida de Lia, sua segunda filha, Isadora acalentou outras tantas gestantes, além da própria barriga, e entendeu que a formação do vínculo com a filha foi muito mais forte e rápido. "Quando ela nasceu foi como se nos conhecêssemos já há muito tempo", diz. Isadora criou o coral "Materna Em Canto", formado por gestantes e mães, começou a compor e gravou um CD com músicas para as mães se comunicarem com o bebê na barriga e foi indicada ao Grammy Latino. "Com esse carinho, o bebê nota que é querido, que é amado", explica.

Apesar de não saber falar, o bebê se comunica. Se dentro da barriga ele se movimenta ao escutar uma música ou a voz da mãe, depois que nasce talvez seja um pouco mais difícil compreendê-lo, mas nada que a mamãe não aprenda a fazer com o tempo. "Aí acontece a priori uma comunicação silenciosa, implícita e não verbal. Ele se comunica por intermédio dos recursos que tem, como chorar", explica a psicanalista Magaly Miranda Marconato Callia, docente do Departamento de Psicanálise da Criança do Instituto Sedes Sapientiae. Até os 3 meses, o choro é o principal meio de comunicação do bebê e com o tempo a mãe aprende a decifrar o que ele quer dizer: se ele tem fome, sono, dor ou precisa trocar a fralda.

Dos 3 aos 6 meses o choro não é mais a fonte principal de informação sobre seu filhote. Ele já fixa o olhar no seu rosto, sorri com suas brincadeiras, vocaliza alguns sons, mostra excitação com certos movimentos, como jogar os bracinhos, e até demonstra medo ou susto com barulhos mais altos, por exemplo. Ainda durante esta etapa, mesmo que não entenda completamente o que você quer dizer, é importante continuar a falar com ele. "A musicalidade da fala transmite muitas mensagens, além daquelas verbalizadas.", explica Magaly. Aproveite muito essa fase em que o toque, o cheiro, um olhar e o calor valem mais que mil palavras!