Comunicação Inteligente

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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Cães ajudam crianças na alfabetização

Um estudo norte-americano mostra que os animais podem ajudar seu filho a melhorar a leitura

Que o envolvimento entre criança e cachorro é muito especial você já sabe. Mas essa relação vai além do carinho e do companheirismo. Um estudo realizado pela Escola de Medicina Veterinária da Universidade de Tufts, nos Estados Unidos, mostrou que, ao ler para cães em voz alta, as crianças melhoram a capacidade de leitura.

Para chegar a esse resultado, os pesquisadores dividiram os participantes em dois grupos. O primeiro deles leu para pessoas, o segundo grupo para cães. As leituras aconteceram durante trinta minutos uma vez por semana. 

 Shutterstock

As crianças que leram para os animais melhoraram a capacidade de leitura quando comparadas àquelas que leram para pessoas. “Um terço das crianças do segundo grupo desistiu das leituras no meio do estudo, mas nenhum participante que estava lendo para os cães abandonou a pesquisa”, conta a veterinária Lisa Freeman, uma das autoras do estudo.

No ano passado, um outro estudo realizado pela Universidade Davis School de Medicina Veterinária e a Fundação Tony La Russa de Resgate de Animais de Walnut Creek, na Califórnia, já havia mostrado os benefícios de ler para os peludos. Os estudiosos analisaram o comportamento de crianças de 8 a 9 anos que já participavam de um programa de terapia assistida com animais chamado All Ears Reading Program (Programa Todo os Ouvidos para a Leitura, em tradução livre).

Durante 10 semanas, os estudantes leram em voz alta para três cachorros da Fundação uma vez por semana, por 15 a 20 minutos. O resultado foi positivo: a fluência na leitura melhorou 12% em estudantes regulares e 30% em crianças que estudam em casa, enquanto a velocidade aumentou cerca de 30 palavras por minuto. E 75% dos pais dos participantes notaram que seus filhos estavam lendo em voz alta com mais frequência e confiança.

Os benefícios dos cachorros no processo de leitura ficou evidente. Mas, por que eles são tão bons parceiros neste aprendizado? Com eles, a criança sente segurança de não ser criticada se falar alguma palavra errada. “Esse conforto deve-se ao fato de ela poder mostrar para ‘alguém’ que não tem essa habilidade o que pode fazer. Ela testa algo que não domina com ‘quem’ também não sabe”, diz Rita Calegari, psicóloga infantil do Hospital São Camilo (SP). Um dos participantes do estudo da Universidade Davis School disse aos pesquisadores: "Os cachorros não ligam se eu ler muito, muito mal, então eu simplesmente continuo lendo".

Porém, mais importante que isso, ressalta Rita, é a relação ímpar e o amor incondicional que o cachorro pode ter com a criança. “Quando elas estão aprendendo coisas novas, em especial na etapa de alfabetização, é fundamental que tenham alguém amoroso ao lado, sem olhar feio se errar. E o máximo que o cão pode fazer é abanar o rabo ou querer comer um pedaço do livro”, diz.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Pesquisa mostra como a publicidade influencia as escolhas alimentares das crianças

Os comerciais e as embalagens com personagens preferidos das crianças estão entre as razões que fazem com que elas queiram alimentos pouco nutritivos, diz pesquisa

ThinkStock

A cena é clássica: no supermercado, a criança insiste em pedir para que o pai compre aquele pacote de salgadinho só porque a embalagem estampa o seu personagem favorito - e os adultos, muitas vezes, acabam cedendo. Para saber por que a gente sempre acaba dizendo sim e entender um pouco mais sobre a relação da publicidade com o consumo infantil, pesquisadores da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, Estados Unidos, analisaram o comportamento de 64 mães de filhos entre 3 e 5 anos.

Uma das motivações da pesquisa foi o fato de a obesidade infantil ser uma das maiores preocupações hoje em dia. Segundo a pesquisa, as mães apontavam os comerciais e as embalagens apelativas como as razões que mais faziam os seus filhos insistirem para comprar alimentos pouco saudáveis. Ou seja: mesmo que uma criança não goste de um certo tipo de bolacha recheada, você sabe, se o desenho preferido dele estiver na embalagem, ela com certeza vai pedir para experimentar. Para lidar com a questão, 36% delas sugeriram limitar o tempo a que as crianças são expostas à propaganda e 35% disseram que bastaria não comprar guloseimas. A maioria concorda que ceder aos apelos não resolve o problema.

Para Ana Lúcia Castello, psicóloga do Hospital Infantil Sabará (SP), essa questão está muito ligada aos limites. “São os pais quem decidem o que é melhor para a criança. Falta firmeza de dizer não e sustentar essa postura”, diz a especialista. O medo de frustrar as crianças é outro fator apontado pela psicóloga. Já Marianne Bonilha, psicóloga do Hospital Pequeno Príncipe (PR), também aponta os hábitos familiares como um problema. “Uma criança não vai entender por que não pode comer uma guloseima se os pais fazem isso em casa.” É aquela velha história de ensinar pelo exemplo. Além disso, explica Marianne, provavelmente pais que são “vencidos pelo cansaço” no supermercado também o são em outros âmbitos da vida do filho. “As regras precisam ser claras e obedecidas”, diz ela.

Mas apenas os pais são “culpados” pelos filhos não se conformarem com um não nesse caso? A resposta pode ser mais complexa do que se imagina. Segundo uma das autoras do estudo, Dina Borzekowski, “para tratar a obesidade infantil é preciso limitar a quantidade de publicidade de produtos pouco saudáveis, o que pode diminuir o interesse das crianças nesses alimentos”. Marianne concorda que há, sim, um excesso de estímulo para o público infantil nas mídias. “Com a oferta se cria a demanda. Ou seja: você passa a ter necessidade daquilo que vê muito” explica ela.

E você, acha que a obesidade na infância pode ser combatida com mais limite impostos pelos pais ou acredita que a publicidade também tem seu papel nisso?

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Colecionando afeto

A colunista Rosane Araújo conta como o que fazemos em nosso dia a dia influencia os filhos o tempo todo - e muitas vezes nem temos noção disso

ThinkStock

Você já pensou em coisas que um dia vai fazer com o seu filho, como passear de carro no banco do carona com ele ao volante? Ou lhe pedir um conselho sobre um assunto qualquer?

Enquanto nossos filhos são bebês ou crianças, é difícil imaginar essas e outras situações. Um dia, em vez de conduzi-los, fisicamente ou afetivamente, nós é que acabaremos sendo conduzidos.

Esse momento ainda vai demorar a chegar para mim, mas, desde que Daniel entrou na adolescência, consigo vislumbrar algo no topo do horizonte – ainda distante, mas já está lá.
Agora, olho para ele – de baixo pra cima – e vejo um rapaz de voz grave, alguns fiapos de barba no rosto e um abdômen de tanquinho, trabalhado ao longo de seus 14 anos de muita atividade física.

É óbvio que sou uma mãe coruja, orgulhosa e babona, como presumo que seja a maioria das leitoras desta coluna. Mas, antes de falar da experiência “quase adulta” que vivi com ele, preciso contar algo de que ainda não falei aqui.

Há três anos, comecei a colecionar moedas, mas não daquelas de valor monetário. Moedas de valor afetivo, que só se ganha com suor e muita vontade de cruzar a linha de chegada.
Tenho 17 delas, conquistadas em corridas de rua das mais variadas distâncias.

Minha coleção foi valorizada no ano passado, quando consegui completar a Meia Maratona do Rio, o maior percurso que corri até então. A medalha veio com lágrimas, câimbras e uma alegria que nunca tinha sentido antes. A alegria de fazer algo que jamais imaginei que fosse capaz de fazer um dia: correr 21 km sem parar ou caminhar.

Veio o dia seguinte e outros tantos. E eu ali, nas minhas corridinhas quase diárias, voltas e voltas na Lagoa Rodrigo de Freitas e a assessoria da equipe do professor Lauter Nogueira.
E eu pensando que Daniel não estivesse vendo essa transformação acontecendo em mim. Então veio a surpresa.

Num belo sábado, enquanto eu me preparava para mais uma corridinha de fim de semana, ele pediu para me acompanhar. Como assim? Aquele menino que eu amamentei, carreguei no colo, troquei fraldas queria me acompanhar num programa de gente grande?

Fiquei imaginando se ele iria conseguir me acompanhar ou se iria desistir no meio dos 7,5 km que circundam a Lagoa. Na pior das hipóteses, voltaríamos andando para casa. Foram mil pensamentos em milésimos de segundo, mas é óbvio que eu topei na hora.
Acho que eu era a pessoa mais feliz do mundo nesse momento (se ele ler a coluna, vai ficar sabendo agora).

Falei para ele que, se não aguentasse, poderíamos caminhar. E colocamos nossos fones de ouvido e saímos correndo como dois adultos.

No fim das contas, fui eu que pedi para andar um pouco. Ele estava inteirão. E assim fomos, correndo e caminhando, ouvindo música e falando pouco. E foi um dia lindo!
Passada a emoção da estreia, já demos juntos mais algumas voltas na Lagoa, inclusive correndo direto, sem caminhar.

E, para minha surpresa, hoje, enquanto eu trabalhava, Daniel me telefonou para contar que deu uma volta na Lagoa, sozinho, em 36 minutos e quarenta segundos. Fez 7,5 km num tempo que eu mesma nunca fiz.

O menino que nada, corre, joga futebol e tênis segue experimentando os esportes – não para se tornar um atleta, mas pelo simples prazer de estar em contato consigo mesmo, conhecer seus limites, ser feliz.

E eu? Bem, no último dia 17 de julho, corri a Meia Maratona do Rio pela segunda vez. Fiz o percurso em 2h44min55seg. Melhorei meu tempo em 9 minutos em relação ao ano passado e cheguei em 1592º lugar entre as mulheres. Bem melhor do que em 2010, quando fui a 1617ª colocada. Ou seja: deixei 25 pra trás! Enquanto isso, minha coleção de moedas afetivas só cresce.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Meninas cada vez mais novas em poses sensuais. Por quê?

Maquiagem carregada, salto, cabelos à la Amy Winehouse. Tudo isso aos 4 anos! Foram essas as imagens que chocaram pais, mães e o público em geral esta semana em um catálogo de lingerie infantil

 Shutterstock

Se você já tinha se chocado quando viu nas notícias a pequena Thylane, de 10 anos, em pose sensual para a revista Vogue francesa, com certeza também não se conformou ao ver esta semana imagens de meninas de 4 anos (sim, 4 anos!) posando para a marca de lingerie, também francesa, Jour Après Lunes.

As fotos, que nos recusamos a publicá-las aqui, promovem uma coleção de lingerie destinada a meninas de 4 a 12 anos, que as exibe com um visual que remete ao mundo adulto feminino: cabelos no estilo da cantora Amy Winehouse, grandes óculos de sol e colares de pérolas.

O fato é que a publicidade chocou e repercutiu em diversos lugares do mundo. "O que é perturbador sobre a Jours Après Lunes não é apenas o fato de que a lingerie é para pessoas que provavelmente não devem ter idade suficiente para saber o que é uma lingerie, mas as fotos em seu site.” Esse é parte do texto publicado no Fashionista.com, que trouxe a história à tona.

Mas por que cada vez mais isso se repete e com meninas? Para Cristina Carvalho, educadora e coordenadora dos cursos de especialização em educação infantil da PUC-RJ, isso é um reflexo da maneira como a figura da mulher tem sido vista na sociedade.

Muitas vezes ouvimos falar que as crianças hoje são precoces, compreendem tudo tão cedo, sabem tudo. Elas não sabem nada. São inseridas em um mundo pronto e precisam compreender conceitos, normas, regras da sociedade. E cabe aos pais mediar essa relação do filho com o mundo. “A culpa não é do computador, da novela, da internet. Para criar valores, a criança precisa de alguém que os explique”, afirma. E critica: "Eu percebo que alguns pais têm se eximido da responsabilidade que o adulto tem de cuidar disso." Diálogo, paciência e dizer não, muitas vezes, fazem parte do educar. Dá trabalho!

Brincadeira x realidade
Sem ter consciência do que a maquiagem carregada, a roupa ou a pose sensual significam, a menina passa a reproduzir em seu dia a dia algo que não é bacana, mas que, para ela, é normal. A distância entre o mundo adulto e o infantil se encurta, assim como a infância. Precocemente, ela é estimulada a aceitar um comportamento a que não está preparada e pode se envolver em situações de risco amanhã.

Vale aqui reforçar que isso é completamente diferente de imitar. Se a sua filha adora colocar os seus sapatos de salto e desfilar pela casa, ou ainda vestir uma roupa sua, tudo bem. “A imitação faz parte do desenvolvimento infantil. É benéfica. Afinal, é por meio do brincar com base na imitação que ela está conseguindo compreender as coisas do mundo”, conta Cristina. O problema é quando isso deixa de ser brincadeira.

Na educação dos filhos, como você já sabe, é preciso estar junto e lidar o tempo todo com o bom senso e olhar atento em suas vidas, para que, mais tarde, eles possam fazer suas escolhas. Mas em situações como essa a responsabilidade vai além dos pais. “Nós adultos precisamos nos perguntar se é isso que queremos para o mundo. Não dá para achar normal atitudes assim”, diz a educadora. E você? O que pensa de tudo isso? Compartilhe com a gente!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Gêmeas engravidam com poucos dias de diferença

Fabíola e Fabiana, 32, se surpreenderam com a coincidência. Em entrevista, elas contam sobre os momentos de união durante a gravidez e a alegria de poder criar os filhos ao mesmo tempo

Ana Paula Pontes / Fotos: Francisco Frantz

Francisco Frantz
Da esq. para dir., Fabíola com o filho Renan e Fabiana com a filha Nathalia

Elas passaram nove meses juntas na barriga da mãe e foram sempre unidas desde então. As gêmeas univitelinas (o que só ocorre um caso a cada 250 partos) Fabiana Michels Zadra Castelo e Fabíola Michels Zadra, 32, têm, inclusive, a mesma profissão: elas são dentistas. O que não imaginavam é que engravidariam praticamente no mesmo período – sem nenhum combinado.

Em 2010, Fabiana, que mora em Santa Cruz do Sul (RS) planejou ter um bebê, mas depois de tentar por cerca de quatro meses descobriu que tinha um cisto, que impedia a gestação. “Fiz vários exames, comecei a tomar antibiótico para tratar o problema e já tinha pensado em fazer inseminação”, conta.

Durante o tratamento, Fabiana começou a ter enjoos e vômitos e, ao ligar para a sua irmã, Fabíola, que mora em Carlos Barbosa (RS), descobriu que ela também estava com os mesmos sintomas. “Minha irmã dizia que eu estava passando mal pelo nervoso de não conseguir engravidar e eu dizia: ‘mana, tu tá [sic] passando mal porque está preocupada comigo´. Irmão gêmeo tem essa coisa de sentir o mesmo que o outro. Quando fico agoniada já sei que ela tem um problema”, disse Fabiana.


Francisco Frantz

O motivo do mal-estar não era tensão alguma. As duas estavam grávidas e descobriram praticamente no mesmo fim de semana. “Foi uma surpresa para mim, porque a gravidez não foi programada. Descobri numa sexta-feira [em outubro/2010] e minha irmã, na segunda. Entre esses dias, ela me dizia que ia ficar para tia mesmo, porque não podia engravidar. Mas ela já estava esperando o bebê”, contou Fabíola. A diferença entre as duas gestações foi de apenas 20 dias.

Se já é gostoso compartilhar a gravidez com o marido e com uma amiga, ainda mais se ela estiver grávida também, esse momento foi especial para as gêmeas. Como a diferença da idade gestacional era curta, passaram pelas mesmas coisas quase que ao mesmo tempo – e uma confortava a outra na hora dos enjoos, pesadelos, dúvidas do que comprar para o bebê. “Só a minha mãe é que ficou meio maluca com essa história toda. Eu ligava dizendo que não estava me sentindo bem, e ia ficar em casa naquele dia. Logo, quem ligava para ela era minha irmã. Ela tinha de acalmar as duas”, diz Fabíola.

Mais tranquila, foi Fabíola que tranquilizava Fabiana em vários momentos da gravidez, inclusive sobre a hora do parto (as duas fizeram cesárea) e o período de recuperação da cirurgia. Renan, filho de Fabíola, nasceu dia 17 de maio e Nathalia, filha de Fabiana, em 20 de junho. Ambas tiveram o carinho e ajuda da mãe, Rosilene, 54, após o nascimento dos filhos. Ela passou 20 dias com Fabíola. Foi até Santa Catarina cuidar da avós das meninas, que está doente, e seguiu para a casa de Fabiana. Poucos dias após o parto, Fabíola também foi para a cidade da irmã ajudá-la. “Minha mãe disse que achava que não ia ser tão fácil. Mas, na verdade, ela reviveu o que passou com nós, cuidando de dois aos mesmo tempo”, conta Fabiana.

A visita da irmã, aliás, foi fundamental para que Fabiana não desistisse da amamentação. “Ela me deu vários toques do melhor jeito de amamentar e me ajudou também a identificar o choro do bebê.” Durante o período em que passaram juntas até os bebês entraram em sintonia, acordando nos mesmos horários para mamar.

O companheirismo entre as gêmeas é tanto que Fabíola chegou a amamentar Nathalia. “Eu saí com minha mãe de casa e minha irmã ficou cuidando dos bebês. Depois de 10 minutos ela me ligou dizendo que minha filha estava berrando. Quando cheguei, ela contou que tinha amamentado Nathalia. Foi um ato muito bacana”, conta Fabiana. Na madrugada desse dia foi a vez de Fabiana doar leite para o sobrinho. “Ele chorava de fome, e o peito de Fabíola ainda não tinha enchido. Como eu tinha retirado o excesso e colocado em uma mamadeira, ela deu para o Renan.”

No dia da entrevista com as gêmeas faltava pouco tempo para Fabíola voltar para a sua cidade. No entanto, mesmo com a distância, as irmãs querem fazer de tudo para manter as crianças o mais próximas possível. “Eu tenho o filho dela como se fosse meu, e vice-versa. A gente não os vê como primos, e sim como irmãos. Queremos criá-los bem unidos, como nós sempre fomos”, diz Fabiana.

Francisco Frantz

domingo, 10 de julho de 2011

Os efeitos da TV no sono do seu filho

Pesquisa americana mostra que as crianças que assistem televisão após as 19h têm mais dificuldades para dormir

Autor: Bruna Menegueço

 Shutterstock

Televisão, videogame, celular, computador. Esses eletrônicos cada vez mais fazem parte da rotina das crianças. Apesar da variedade de programas, desenhos animados, jogos, brincadeiras e redes sociais, o excesso de “tela” pode causar problemas de sono na vida das crianças.

Um estudo feito pelo Instituto de Pesquisa do Hospital Infantil de Seattle, nos Estados Unidos com 617 crianças entre 3 e 5 anos, mostrou que aquelas que assistem televisão após as 19h têm mais problemas para dormir - como dificuldade para adormecer, acordam várias vezes durante a noite, têm pesadelos e sonolência diurna.

A pesquisa também analisou o tipo de programação que essas crianças assistiam. Segundo os cientistas, programas com violência – como desenhos animados, novelas e filmes – geram uma dose extra de adrenalina no corpo, o que dificulta o sono das crianças. E para tanto, não importa a hora em que assistem aos programas. Mesmo que seu filho veja um desenho violento pela manhã, ele poderá ter dificuldade para dormir durante a noite.

Para chegar a esse resultado, os pesquisadores se basearam em relatos dos pais das crianças e perceberam também que aquelas com televisão no próprio quarto podem assistir até 40 minutos a mais que as outras por dia.

Segundo a pediatra norte-americana Michelle Garrison, autora da pesquisa, alguns estudos anteriores feitos nos Estados Unidos, mostram que, pelo menos, um em cada quatro crianças têm televisão em seus quartos. “Isso acontece porque muitas famílias acreditam erroneamente que assistir TV pode ajudar seus filhos a pegarem no sono”, diz a especialista.

Aqui no Brasil, a situação não é diferente. “Sou pediatra há 16 anos e tenho percebido que as crianças têm problemas de sono cada vez mais cedo e a causa, quase sempre, está no excesso de tela e na falta de um ritual para dormir, que deve começar antes de dormir”, diz o pediatra Sylvio Renan Monteiro de Barros, da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Como reduzir as horas em frente à TV
Criar uma rotina de sono é fundamental. A partir das 18h, comece a diminuir o ritmo da casa. Dê um banho em seu filho para relaxar, em seguida, o jantar. O ideal é que seu filho deixe os eletrônicos de lado até uma hora antes de ir para a cama. Se ele já está acostumado com a TV, tente substituir por outra atividade. Que tal ler um livro, ouvir música, ver fotos ou jogar algo que ele goste? A recomendação é tirar a TV de uma vez, mas você pode combinar de ir reduzindo aos poucos ao longo de uma semana. E é preciso ser firme. Mesmo que seja difícil, ele vai acabar se acostumando.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Estudo comprova que vacina contra gripe protege grávidas e respectivos bebês

Crianças cujas mães foram vacinadas têm 48% menos risco de ser hospitalizadas por causa da doença


  shutterstock

As baixas temperaturas do inverno aumentam os casos de gripe entre gestantes e crianças. Mas os recém-nascidos são os que mais sofrem com a doença. Os bebês de até 6 meses de idade apresentam as maiores taxas de hospitalização por gripe entre as crianças. Um dos motivos é que, além de serem mais frágeis, para essa faixa etária não existem vacinas específicas. Isso porque não há estudos suficientes que determinem uma dosagem segura para crianças pequenas que ainda têm os órgãos imaturos. Mas, para o alívio das mães, cientistas norte-americanos reforçam algo já comprovado antes: a vacinação das gestantes também protege os recém-nascidos.

De acordo com o estudo da Wake Forest University Baptist Medical Center, divulgado pelo American Journal of Obstetrics & Gynecology, os bebês cujo as mães foram vacinadas durante a gestação reduziram em 48% os ricos de hospitalização por influenza. A pesquisa analisou os dados provenientes de 1500 crianças de até 6 meses e suas respectivas mães.

“A vacinação proporciona ao bebê maior segurança nas primeiras semanas e meses do pós-parto porque produz uma elevação dos anticorpos no sangue da mãe, que passam através da placenta para o bebê. Com isso a criança tem um aumento da imunidade e fica protegida até ela começar a produzir anticorpos por si mesma”, explica Edílson Ogeda, ginecologista e obstetra do Hospital Samaritano de São Paulo.

Além dos benefícios para o recém-nascido, o médico destaca também a importância da vacinação para a saúde da mãe, já que durante a gravidez a mulher fica mais vulnerável aos sintomas da gripe. “A grávida tem os sistemas cardiovascular, imunológico e respiratório alterados devido às adaptações que seu corpo faz para gerar a criança e, por isso, fica doente com maior facilidade", diz. Mais um motivo para manter a carteira de vacinação em dia durante os nove meses.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Tomar sol na gravidez ajuda a prevenir doenças respiratórias no bebê

Estudo americano mostra que a vitamina D, que precisa do Sol para ser absorvida pelo organismo, fortalece o sistema respiratório da criança

Autor: Bruna Menegueço

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Pode ser na praia, na piscina, no quintal ou na varanda de casa. Sentar no fim da tarde e tomar aquele solzinho é uma delícia, não é? Se você está grávida, aproveite porque ele faz muito bem para o seu bebê.

Um estudo da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, publicado na revista Pediatrics, mostrou que um alto nível de vitamina D em bebês pode prevenir infecções respiratórias durante a infância. Apesar de ser encontrada em vários alimentos (como fígado, ovos, carne, manteiga, peixes - inclusive os enlatados - e óleo de fígado de peixe), a vitamina D necessita do Sol para ser absorvida pelo organismo. Por isso, muitas crianças nascem deficientes desse nutriente.
Para chegar a esse resultado, os cientistas analisaram a concentração da vitamina no cordão umbilical de 922 recém-nascidos e acompanharam a quantidade da mesma até as crianças completarem 5 anos. Aquelas com baixos níveis de vitamina D apresentaram duas vezes mais chances de desenvolver infecções respiratórias comparadas àquelas com maior concentração do nutriente no sangue. Os pesquisadores também notaram que a maioria dos bebês que nasceu durante o inverno tinha baixos níveis de vitamina.

“Considerando que as infecções respiratórias são a causa mais comum de asma, suplementos de vitamina D ajudam na prevenção, particularmente durante o outono e o inverno, quando os níveis de vitamina D caem e aumentam os casos da doença”, explica o especialista Carlos Camargo, que conduziu o estudo.

Estudos anteriores feitos pela equipe de Camargo mostraram que filhos de mulheres que tomaram suplementos de vitamina D durante a gravidez eram menos propensos a desenvolver chiado no peito (o que os médicos chamam de sibilância) durante a infância. 
A Sociedade Brasileira de Pediatra recomenda o uso de suplementos de vitamina D a partir do 15º dia de vida. Após o primeiro mês, você pode levar o bebê para passeios curtos ao Sol, de preferência até às 10 e após às 16h, para estimular a absorção da vitamina.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Fumar na gravidez reduz o colesterol bom das crianças

Segundo estudo, quando a mãe fuma durante a gestação aumenta em até 15% as chances de doenças cardíacas no filho aos 8 anos


Autor: Bruna Menegueço

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Todo mundo já sabe de cor os malefícios que o cigarro pode causar – quem não se lembra das fotos estampadas no maço de cigarro, mostrando bebês prematuros? Além da criança nascer antes do tempo, ela pode ter doenças cardíacas, respiratórias e até retardo mental. Uma nova pesquisa, realizada pela Universidade de Sidney, na Austrália, mostrou que o cigarro  leva a criança a ter níveis mais baixos de HDL, o colesterol bom, conhecido por proteger contra doenças cardíacas.

Para chegar a esse resultado, os pesquisadores analisaram os efeitos do cigarro durante a gestação na parede das artérias e nos níveis de lipídeos e proteínas no sangue de 405 crianças saudáveis, de 8 anos. Os resultados mostraram que os níveis de HDL variaram cerca de 0,15 mmol/l entre filhos de mães fumantes e não-fumantes, mesmo após levar em consideração fatores que poderiam influenciar no resultado, como duração do aleitamento materno, sedentarismo e índice de massa corporal. Para os cientistas, essa diferença pode resultar em um risco aproximado de 10 a 15% maior de doença coronária em filhos de mães que fumam.
Segundo o obstetra Norberto Antônio Freddi, do Hospital e Maternidade Santa Catarina (SP), o estudo é mais um alerta sobre a importância de as mulheres fugirem do cigarro especialmente na gestação. “Níveis baixos de colesterol HDL aos 8 anos sugerem sério impacto sobre a saúde no futuro, já que a tendência é a de que esses níveis continuem assim quando a criança chegar na vida adulta”, diz o especialista.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Grávida pode tomar bebida alcoólica?

O ideal é evitar o consumo de álcool durante os nove meses, mas um brinde em ocasiões especiais, depois do primeiro trimestre, não vai fazer mal ao bebê. Confira

Autor: Ana Paula Pontes

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Tudo o que a mãe consome durante a gravidez influencia a saúde do bebê, ainda na barriga da mãe e no futuro. E cada vez mais novos estudos mostram essa relação. O álcool, por exemplo, faz parte da lista das proibições. Mas só um pouquinho também faz mal? Depende da quantidade. É o que revela um estudo realizado pela University College London, no Reino Unido.

Os cientistas analisaram a saúde e o comportamento de mais de 11 mil crianças, até os 5 anos, e o consumo de bebidas alcóolicas de suas mães durante a gravidez. As mulheres foram divididas entre aquelas que não bebiam nada, as de consumo leve (cerca de uma ou duas unidades por semana ou em uma ocasião especial), moderado (que bebiam entre três e seis unidades por semana) e pesado (mais de sete unidades por semana ou seis em ocasiões especiais).

O resultado mostrou que filhos de mães de consumo leve não apresentaram nenhum comprometimento no desenvolvimento comportamental e intelectual. Já as crianças de mulheres que bebiam em excesso tinham mais chance de serem hiperativas ou terem problemas emocionais e de comportamento.

CRESCER ouviu quatro especialistas para discutir o assunto e todos são unânimes em afirmar que o ideal é evitar o álcool durante os nove meses, porém bebericar uma champanhe em uma ocasião especial não vai fazer mal ao bebê. Confira abaixo outras recomendações:

- Nos primeiros três meses de gestação (e nos últimos dias), a bebida alcóolica é totalmente proibida. No período inicial, as células do bebê estão se formando e se diferenciando, e o álcool prejudica o seu desenvolvimento;

- Mulheres que já têm algum problema que coloque a gravidez em risco devem ficar longe de qualquer bebida com álcool;

- Deixe para tomar um vinho ou uma champanhe (bebidas de menor teor alcóolico) somente em ocasiões especiais, como Natal, Ano-Novo, aniversário;

- Fique de olho na quantidade, que deve ser pouca MESMO. Se for tomar um vinho, não ultrapasse uma taça de 200 ml; se a bebida for a cerveja, uma latinha é o limite. Lembre-se: é só um brinde;

- Bebidas destiladas, como vodca e uísque, estão proibidas!


Fontes: Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista e obstetra do Hospital Sírio-Libanês (SP); Antônio Júlio Sales Barbosa, obstetra do Hospital Santa Catarina (SP); Eduardo de Souza, ginecologista e coordenador científico do Hospital São Luiz (SP); Abner Lobão, obstetra da Unifesp